Nome da Avenida Fernandes Lima é alvo de debate e pode virar disputa judicial em Maceió

Nome da Avenida Fernandes Lima é alvo de debate e pode virar disputa judicial em Maceió
Foto: Reprodução

Por Redação


A Defensoria Pública de Alagoas promoveu, nesta quinta-feira (11), audiência pública para discutir a possível alteração do nome da Avenida Fernandes Lima, uma das principais vias de Maceió. O debate foi conduzido pelo coordenador do Núcleo de Proteção Coletiva, Othoniel Pinheiro Neto.


A discussão tem como base a participação atribuída a Fernandes Lima na chamada Quebra de Xangô, episódio ocorrido em 1912, marcado pela destruição de terreiros e perseguição a adeptos de religiões afro-brasileiras. A proposta de revisão partiu da Câmara Técnica de Direitos Humanos do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL).


Segundo Othoniel Pinheiro, a audiência foi estruturada como espaço de escuta e diálogo com diferentes setores da sociedade. “A discussão da retirada do nome de Fernandes Lima não é algo pequeno ou desnecessário. É preciso se colocar no lugar do outro, especialmente das pessoas que se sentem agredidas com a homenagem a alguém que praticou um crime tão bárbaro contra a liberdade religiosa”, afirmou.


O defensor destacou que cidadãos que se sintam atingidos pela permanência da homenagem podem buscar medidas legais. “Pessoas que se sentem violentadas com essa permanência têm o direito de acionar a Justiça e procurar a Defensoria Pública em busca da efetivação da justiça histórica e social”, declarou.


Ele acrescentou que a instituição poderá adotar providências judiciais, inclusive ações coletivas, caso haja respaldo técnico e documental. Representantes foram orientados a formalizar posicionamentos para subsidiar eventual encaminhamento ao TJAL.


Durante o encontro, a sacerdotisa Mãe Mirian defendeu que a avenida passe a homenagear Tia Marcelina, apontada como vítima da Quebra de Xangô. “Estamos aqui para defender que a avenida passe a se chamar Tia Marcelina, em memória de uma mulher negra e religiosa de matriz africana que foi brutalmente morta em 1912, vítima de intolerância e injustiça”, afirmou.


A coordenadora municipal de Promoção da Igualdade Racial, Lucélia Silva, ressaltou a importância da escuta das comunidades de terreiro. Representantes da Fundação Cultural Palmares, do governo estadual, da OAB e da Câmara Municipal de Maceió também participaram da audiência.