Careca do INSS tentou emplacar contratos milionários no Ministério da Saúde

Careca do INSS tentou emplacar contratos milionários no Ministério da Saúde
Foto: Reprodução

Por Redação com agências


Investigações conduzidas pela Polícia Federal indicam que Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, tentou ampliar a atuação do grupo investigado por fraudes em benefícios previdenciários por meio de contratos de alto valor com o Ministério da Saúde. As informações foram reveladas pelo portal g1.


Segundo a reportagem, Antunes buscou negociar a venda de medicamentos à base de cannabis, testes rápidos para diagnóstico da dengue e produtos de nutrição infantil. Ele chegou a ser recebido em pelo menos uma reunião no Ministério da Saúde, em janeiro do ano passado. Apesar do encontro, não houve aquisição de produtos das empresas vinculadas ao lobista.


Mensagens de WhatsApp obtidas pela investigação mostram a movimentação de Antunes e de seus colaboradores junto à pasta. O conteúdo das conversas está sob análise da Polícia Federal e reforça a suspeita de tentativa de inserção do grupo no setor da saúde pública.


Durante a fase mais recente da operação, em dezembro, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do caso, afirmou que o Ministério da Saúde passou a ser considerado uma “nova possível área de atuação da organização criminosa”. Na decisão, o magistrado determinou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apurasse administrativamente possíveis irregularidades cometidas por servidores públicos.


Entre as hipóteses investigadas está o uso de recursos desviados de aposentadorias para pagamento de propina e estruturação de empresas voltadas à obtenção de contratos milionários na área da saúde. Uma das companhias associadas a Antunes é a World Cannabis, voltada à comercialização de produtos derivados de cannabis medicinal.


Em dezembro de 2024, mensagens trocadas entre Antunes e funcionários tratavam da revisão da Resolução nº 327 da Anvisa, que regula a autorização sanitária para fabricação e importação de produtos de cannabis. No mesmo período, integrantes do grupo compartilharam a minuta de um Termo de Referência que previa a aquisição de 1,2 milhão de frascos de canabidiol pelo Ministério da Saúde.


Já em janeiro de 2025, as conversas indicam nova tentativa de negociação, desta vez para fornecimento de testes rápidos de dengue. Assim como no caso do canabidiol, a equipe elaborou um Termo de Referência prevendo a compra sem licitação.


As apurações seguem em andamento e buscam esclarecer se houve tentativa de direcionamento de contratos públicos ou envolvimento de agentes do Estado nas tratativas.