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ALAGOAS

Menina de 2 anos morre após troca de sonda no HGE; mãe denuncia falha no atendimento

Certidão de óbito de Cecília Ferreira da Silva registra sepse abdominal e “falso trajeto de sonda de gastrostomia”; caso foi levado à Polícia Civil

Francês News

A mãe de uma menina de 2 anos denunciou à Polícia Civil uma possível falha no atendimento prestado à filha no Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió. Cecília Ferreira da Silva morreu no dia 15 de setembro, menos de 24 horas depois de passar por um procedimento para recolocação de uma sonda de gastrostomia na unidade hospitalar.

Em entrevista ao Jornal da Francês, Williane da Silva Pereira contou que a filha tinha microcefalia e utilizava a sonda havia quase um ano. Segundo ela, o dispositivo saiu acidentalmente quando a criança estava em casa, no dia 14 de setembro.

A família levou Cecília ao HGE, mas, conforme o relato da mãe, o orifício por onde passava a sonda já havia começado a fechar. Williane afirma que um médico tentou recolocar o dispositivo sem realizar uma nova cirurgia.

“Ele pegou o bisturi e cortou a Cecília. Ela gritava muito de dor, sem anestesia”, relatou. Essa afirmação integra a denúncia da mãe e ainda precisa ser esclarecida pelo hospital e pela investigação.

Ainda segundo Williane, a menina foi liberada após o procedimento, sem permanecer em observação. Já em casa, a barriga da criança teria ficado inchada e endurecida. A família procurou outra unidade de saúde, onde um exame de raio-X teria indicado um trajeto inadequado da sonda.

Cecília retornou ao HGE durante a noite. De acordo com a mãe, a criança estava pálida, apresentou alteração na saturação de oxigênio e passou por novos exames, incluindo tomografia. Ela morreu às 6h45 do dia seguinte, após sofrer uma parada cardíaca.

Certidão cita falso trajeto da sonda

A certidão de óbito apresentada pela família registra como causas da morte “sepse de foco abdominal”, “abdome agudo inflamatório” e “falso trajeto de sonda de gastrostomia”.

O documento confirma a existência do falso trajeto, mas, isoladamente, não determina como ele foi provocado nem atribui responsabilidade profissional. A eventual ocorrência de erro médico deverá ser analisada por meio de investigação, prontuários, exames, perícias e depoimentos dos envolvidos.

Um boletim de ocorrência foi registrado em 19 de setembro na Central de Flagrantes de Maceió. O fato foi encaminhado para a Delegacia de Combate aos Crimes contra Crianças e Adolescentes. No registro, a natureza inicial aparece como “outros fatos atípicos”, classificação que não representa conclusão sobre a ocorrência de crime.

A mãe cobra explicações do hospital, do médico responsável pelo atendimento e do Governo de Alagoas.

“Eu preciso saber o que realmente aconteceu, porque minha filha já trocou a sonda outras vezes e nunca tinha ocorrido algo parecido”, afirmou.

Williane também relatou ter sido procurada por mães que apontam situações semelhantes envolvendo outras crianças.