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Santa Mônica acumula denúncias de superlotação e falta de equipamentos desde maio

Vídeos mostram pacientes em corredores e poltronas; médicos relatam escassez de insumos, equipes sobrecarregadas e estrutura insuficiente na referência estadual para gestações de alto risco

Por Redação com Francês News

Pacientes em cadeiras, gestantes acomodadas em corredores, macas instaladas em áreas de circulação e acompanhantes sem espaço para permanecer na unidade. Desde maio, denúncias semelhantes se repetem na Maternidade Escola Santa Mônica, em Maceió, referência estadual no atendimento de gestações de alto risco.

Esta é a terceira reportagem da série do Francês News sobre a assistência materno-infantil em Alagoas. A primeira mostrou que quase metade dos bebês de mães residentes no estado nasce fora do município onde elas vivem. A segunda apresentou o relato de Rafaela Vitório, penedense que afirma ter procurado atendimento três vezes antes de ser transferida para Maceió.

Os dois temas se encontram na Santa Mônica: a concentração dos serviços especializados leva gestantes de diferentes regiões à capital, enquanto a unidade responsável por receber parte dessas pacientes enfrenta denúncias recorrentes de superlotação.

Problemas começaram a ser expostos em maio

No dia 26 de maio, a presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed-AL), Sílvia Melo, denunciou que o único aparelho utilizado para exames de doppler obstétrico estava sem funcionar desde o início daquele mês.

A entidade também informou que a reveladora do equipamento de raio-X estava quebrada desde março. Os exames precisavam ser enviados ao Hospital Universitário, situação que, segundo o sindicato, atrasava resultados necessários às unidades de terapia intensiva materna e neonatal.

Na ocasião, Sílvia afirmou que equipes dimensionadas para 40 leitos chegavam a atender mais de dez pacientes extras. As mulheres, conforme a denúncia, permaneciam em poltronas, macas improvisadas e corredores.

Vídeos registraram pacientes nos corredores

Em junho, um vídeo gravado por uma paciente mostrou mulheres recebendo medicação em macas colocadas nas áreas de circulação da maternidade.

O Sinmed classificou a superlotação como crônica e informou que, diante da falta do doppler, algumas gestantes eram deslocadas à noite para realizar exames no Hospital da Mulher. A alternativa foi considerada paliativa por exigir o transporte de pacientes de alto risco entre unidades hospitalares.

No dia 1º de julho, novas imagens levaram o sindicato a cobrar do Governo de Alagoas a ampliação do número de leitos e a construção de outra maternidade.

“Essa superlotação sobrecarrega toda a equipe de saúde e impede que a assistência seja prestada da forma adequada”, declarou Sílvia Melo.

Ainda em julho, médicos da Santa Mônica relataram falta de materiais essenciais, jornadas exaustivas e deterioração das condições estruturais e administrativas. Um dos profissionais afirmou que a unidade sobrevivia como um “milagre de resistência humana”.

Novas imagens foram divulgadas em agosto

Outro vídeo, datado de 20 de agosto, voltou a mostrar pacientes em espaços improvisados. A presidente do Sinmed destacou a data da gravação para rebater alegações de que a entidade estaria utilizando registros antigos.

Segundo o sindicato, as imagens mostravam que a superlotação continuava atingindo pacientes e profissionais, além de aumentar o consumo de medicamentos e insumos.

As denúncias motivaram cobranças dirigidas ao Governo de Alagoas, à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), à Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal) e à direção da maternidade.

Gestantes de Penedo relatam falta de leitos

Em setembro, duas pacientes transferidas de Penedo apresentaram ao Francês News relatos semelhantes às situações registradas nos vídeos.

Gleisiane afirmou que chegou à Santa Mônica com contrações e permaneceu durante horas em uma cadeira. Após receber a notícia da morte do bebê, alegou ter esperado dois dias pela cesariana devido à falta de leito. Depois do procedimento, disse que ficou em uma maca no corredor.

Rafaela Vitório também relatou ter encontrado a recepção lotada, gestantes dormindo em cadeiras e pacientes acomodadas nos corredores. Segundo ela, somente conseguiu uma poltrona depois que imagens de sua situação começaram a circular.

A repetição das denúncias ao longo de cinco meses exige esclarecimentos sobre a quantidade de leitos, a ocupação da maternidade, o funcionamento dos equipamentos e as medidas adotadas para reduzir a sobrecarga.

O espaço permanece aberto para manifestação da Sesau, da Uncisal, da direção da Santa Mônica e do Governo de Alagoas.