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Falta água, conta sobe: seis anos após a concessão, consumidores pagam mais caro e reclamam

Tarifa passou por reajustes seguidos desde 2023, enquanto a concessionária lidera o ranking de reclamações do Procon Maceió e teve o último aumento suspenso pela Justiça

Por Redação

A concessão dos serviços de água e esgoto da Região Metropolitana de Maceió completou seis anos nesta quarta (30). E o balanço, para muita gente, se resume numa frase que se ouve nos bairros: a conta ficou mais cara, mas a água nem sempre chega às torneiras.

Desde 2023, os consumidores atendidos pela BRK passaram por sucessivas atualizações na tarifa, se o último valor tivesse sido mantido, a alta acumulada desde 2023 chegaria a cerca de 24,4%.

Os reajustes são homologados pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de Alagoas, a Arsal. Segundo a agência, o cálculo leva em conta inflação, mão de obra, produtos químicos, construção civil, energia elétrica e o preço da água tratada comprada da Casal. Em abril de 2025, por exemplo, houve uma recomposição extra de 2,17%, atribuída ao aumento da taxa de fiscalização cobrada pela própria Arsal, que passou de 0,5% para 2%. A justiça barrou o último aumento.

O reajuste mais recente não passou sem contestação. Em março de 2026, o Tribunal de Justiça de Alagoas suspendeu a resolução da Arsal que autorizou o aumento, atendendo a um recurso da Defensoria Pública do Estado. A decisão determinou que a tarifa voltasse ao valor anterior até o julgamento final da ação.

Um dos pontos levantados pela Defensoria pesa bastante: a Fipe, que atua como verificador independente do contrato, reprovou o reajuste duas vezes. Mesmo assim, a Arsal aprovou o aumento.  A Defensoria apontou falta de transparência no processo. A Arsal defende que os reajustes são necessários para manter o equilíbrio financeiro da concessão e garantir recursos para operação, manutenção e investimentos na universalização do saneamento.

Seis anos depois da concessão, a discussão vai além do preço do metro cúbico. O que está em jogo é a relação entre o que o consumidor paga e o serviço que ele de fato recebe.

Para quem abre a torneira e não encontra água, índice de reajuste e cláusula de contrato dizem pouco. A pergunta é simples: até onde dá para continuar aumentando a tarifa de um serviço que ainda lidera as reclamações de quem depende dele?

Seguem dados de evolução da tarifa (faixa residencial até 10 m³)
R$ 6,14 → R$ 6,688 (dez/2023) → R$ 6,952 (2024) → R$ 7,103 (abr/2025) → R$ 7,64 (reajuste suspenso pela Justiça em mar/2026).