Dez candidatos ficam fora da ALE em Alagoas com mais votos que deputado eleito com 17.178 votos; entenda a regra do sistema proporcional
Gilvan Filho (MDB) teve 36.770 votos e ficou na suplência, mais que o dobro de Leonardo Dias (PL), que garantiu vaga
Francês News
Pelo menos dez candidatos a deputado estadual em Alagoas terminaram a eleição de domingo (4) como suplentes, mesmo tendo recebido mais votos que um dos eleitos para a Assembleia Legislativa (ALE). Leonardo Dias (PL) garantiu uma das 27 cadeiras com 17.178 votos, enquanto Gilvan Filho (MDB), primeiro da lista de suplentes, somou 36.770, mais que o dobro, e ficou de fora.
Também ficaram na suplência com votação superior à de Leonardo Dias os candidatos André Silva (MDB), com 36.535 votos; Francisco Tenório (MDB), com 32.005; Ceci de Atalaia (PP), com 29.914; Silvio Camelo (PV), com 29.398; Francisco Sales (PSDB), com 29.192; Inácio Loiola (MDB), com 29.150; Neno da Laje (PP), com 23.779; Breno Albuquerque (PT), com 20.716; e Léo Loureiro (PSDB), com 19.282. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 100% das seções totalizadas.
O MDB concentra quatro desses nomes, todos com mais de 29 mil votos. Somados, os dez suplentes reuniram 286.741 votos, mais de quatro vezes o quociente eleitoral, sem conquistar nenhuma cadeira.
A explicação está no sistema proporcional, usado na eleição de deputados e vereadores. Nele, o eleitor vota primeiro no partido, mesmo quando digita o número de um candidato. As vagas são distribuídas entre as legendas e federações de acordo com o total de votos que cada uma recebeu.
COMO FUNCIONA O SISTEMA PROPORCIONAL
Na prática, funciona como uma divisão em duas etapas. Primeiro, calcula-se o quociente eleitoral, que em Alagoas ficou em 66.792 votos, resultado da divisão dos 1.803.374 votos válidos pelas 27 vagas. Em seguida, cada partido recebe uma cadeira para cada 66.792 votos que somar, o chamado quociente partidário. As vagas que sobram dessa conta são distribuídas por um cálculo de médias entre os partidos que atingiram pelo menos 80% do quociente.
Por isso, um candidato com votação menor pode ser eleito se o seu partido tiver votos suficientes para mais uma cadeira e ele for o próximo da fila na legenda. Já um candidato bem votado fica de fora quando as vagas do seu partido já foram ocupadas por colegas com ainda mais votos.
É o que explica a situação do MDB. O partido teve alguns dos candidatos mais votados do estado, como Marcelo Victor, com 69.370 votos, e Paulinho Mendonça, com 65.166, e as cadeiras da legenda foram preenchidas por quem ficou à frente na lista interna. Gilvan Filho, André Silva, Francisco Tenório e Inácio Loiola esbarraram nesse limite.
A legislação também exige um desempenho mínimo individual. Para ocupar uma vaga, o candidato precisa ter votação equivalente a pelo menos 10% do quociente eleitoral, o que em Alagoas corresponde a 6.680 votos. Na disputa pelas sobras, o mínimo sobe para 20% do quociente, ou 13.359 votos.
Os suplentes podem assumir uma cadeira ao longo do mandato caso um deputado da mesma legenda ou federação se licencie, renuncie ou assuma outro cargo, como secretário de Estado. Os 27 deputados eleitos tomam posse em 1º de fevereiro de 2027.