Política
Bastidores da política alagoana

Chapelaria: A igreja virou palanque, e os fiéis responderam!

Nos bastidores da política alagoana, há movimentos que parecem calculados mas produzem efeitos que ninguém controla. O anúncio do apoio de Gunnar Nunes e Mesaque Padilha à pré-candidatura de Renan Filho ao governo de Alagoas é um desses casos.

A notícia em si não surpreende quem acompanha os bastidores de perto. O racha entre os dois e o grupo de JHC vem de longe. Quando ainda eram da base do então prefeito de Maceió, Gunnar inclusive filiado ao PL, a aproximação dos dois com o PP de Arthur Lira acendeu o sinal vermelho. O resultado foi uma limpa histórica: mais de 50 exonerações na estrutura da Prefeitura de Maceió. A mensagem foi enviada. A resposta também.

De lá pra cá, Gunnar e Mesaque migraram para o PP, se distanciaram da oposição e passaram a orbitar outros campos. Agora deram o passo final, e apareceram numa selfie ao lado de Renan Filho, declarando apoio público à sua candidatura.

O senador comemorou nas redes. “Nosso trabalho conjunto vai permitir que nosso estado siga avançando, melhorando a vida das pessoas de maneira justa e solidária”, publicou.

Mas quem leu os comentários viu outra história.

Porque por trás desse movimento político há uma questão que extrapolou os bastidores e chegou aos bancos das igrejas. Imagens que circularam em grupos internos mostram fiéis segurando adesivos de campanha dos dois dentro de templos, o que gerou, segundo relatos, uma sensação de pressão sobre os frequentadores para que votassem neles. Para muitos fiéis, o ambiente de fé estava sendo transformado em palanque, e a revolta foi crescendo por dentro antes de explodir nas redes.

E quando Renan publicou a foto com os dois, os comentários não pouparam ninguém.

“Sou assembleiano. Mas votar nos Calheiros jamais!”, escreveu um seguidor. “É assinar a própria sentença”, resumiu outro. “Cavaram a própria cova”, completou um terceiro. Teve quem dissesse “de ruim a pior” e quem garantisse que Renan “vai perder voto que só”. Outros foram mais diretos: “Que vergonha.”

A indignação não veio de adversários políticos. Veio dos próprios fiéis, daqueles que frequentam as mesmas igrejas onde Gunnar e Mesaque construíram sua base, e que agora se sentem usados num jogo que não é deles.

No fundo, o que esses comentários mostram é algo que nenhuma pesquisa capta direito: quando a política entra demais na igreja, quem sai machucado não é só o político. É a instituição inteira.

Renan Filho ganhou dois nomes no palanque. Mas nas redes, quem mais falou foi o povo, e o povo, como sempre, foi direto ao ponto.

A Chapelaria observa e aguarda.