Perseguição em União dos Palmares: Prefeito nega ônibus para crianças da pré-escola visitarem museu e revolta professor
Em desabafo nas redes sociais, o pesquisador em relações étnico-raciais Artur Nascimento questiona se a negativa do transporte ao Museu Maria Mariá foi retaliação política promovida pela gestão de Júnior Menezes
Por Redação com Francês News
Uma denúncia pública sacudiu a educação e os bastidores políticos em União dos Palmares. O professor e pesquisador Artur Nascimento, doutor em Educação e especialista em relações étnico-raciais, usou as redes sociais para divulgar um vídeo de desabafo endereçado diretamente ao prefeito Júnior Menezes (MDB). O docente cobra explicações sobre o indeferimento de um ônibus escolar solicitado para levar crianças da pré-escola a uma aula de campo no Museu Maria Mariá.
No relato, o professor enfatiza que a atividade não se tratava de um passeio recreativo, mas de uma ação pedagógica rigorosamente planejada para trabalhar cultura, memória, ancestralidade e a identidade negra com alunos da Primeira Infância. A recusa do transporte por parte da Secretaria Municipal de Educação acendeu o alerta sobre o uso da máquina pública e motivou suspeitas de retaliação e perseguição política no município governado por Júnior Menezes, um dos principais correligionários do ex-governador e pré-candidato Renan Filho na região.
"Se foi por perseguição política, isso é muito grave. A educação das crianças e eu não podemos pagar o preço da política. Educação não pode ser usada para perseguir professor. Eu, na condição de professor, cidadão palmarino, negro, doutor, pesquisador, e as crianças, merecemos respeito", disparou Artur Nascimento no vídeo.
Uso da máquina pública contra a educação gera indignação
A denúncia reacende o debate sobre os limites da política partidária na administração municipal e os critérios adotados para o atendimento de demandas escolares. Ao ressaltar que a cidade dispõe de frota e que a recusa não ocorreu por falta de veículos, o pesquisador cobrou transparência sobre quais requisitos a gestão municipal exige para liberar transporte voltado a atividades pedagógicas.
O episódio causou forte repercussão na comunidade acadêmica e entre moradores de União dos Palmares, que enxergam na atitude um grave ataque à valorização do ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas locais. Até o momento, a prefeitura e a Secretaria Municipal de Educação não se pronunciaram oficialmente para explicar os motivos do veto ao transporte dos estudantes. O espaço segue aberto para atualizações.