Lira mira gabinete histórico de Renan Calheiros no Senado como "troféu" de vitória; Renan Filho articula reação
Eleito para a Alta Casa por Alagoas, ex-presidente da Câmara quer ocupar o nobre espaço do 15º andar a partir de 2027; filho do emedebista tenta herdar a sala para manter o clã no local
Por Redação
A rivalidade histórica entre os grupos políticos de Arthur Lira (PP) e da família Calheiros ganhou um novo e simbólico capítulo nos bastidores do Congresso Nacional. Recém-eleito senador por Alagoas, o ex-presidente da Câmara dos Deputados articula ativamente para assumir, a partir do início da próxima legislatura em 2027, o cobiçado gabinete físico ocupado por mais de uma década pelo seu principal desafeto local, Renan Calheiros (MDB).
Localizado no 15º pavimento do Anexo I do Senado, o espaço é considerado uma das áreas mais nobres e privilegiadas do edifício-sede da Casa Alta. Para Lira, tomar posse das instalações utilizadas por Renan desde 2013 vai além de uma questão de infraestrutura ou conforto de trabalho: a mudança é vista por aliados como o "troféu" definitivo da derrota acachapante imposta ao clã Calheiros nas urnas alagoanas no último domingo.
No entanto, a investida do novo senador do PP encontra forte resistência interna. O ministro dos Transportes e senador licenciado Renan Filho (MDB) abriu uma contraofensiva para impedir que o rival tome o espaço ocupado pelo seu pai. O emedebista, que atualmente está alocado no 6º andar do mesmo anexo e tem mandato garantido na Casa até 2031, pretende pedir a transferência direta para o 15º pavimento, mantendo a sala sob o domínio da família.
A disputa espacial pela herança imobiliária do Congresso promete esquentar as articulações da nova bancada. A decisão final sobre a atribuição e redistribuição dos gabinetes caberá exclusivamente à futura composição da Mesa Diretora do Senado, que será eleita e empossada em fevereiro de 2027.