Lula e Trump se reúnem para discutir acordo de minerais críticos entre Brasil e EUA
Proposta americana prevê financiamento de refinarias, transferência de tecnologia e proteção de preços; governo brasileiro tem ressalvas sobre relação com a China
Por Redação
Lula e Trump se encontram nesta quinta-feira (7) numa reunião que pode destravar as negociações sobre um acordo estratégico de minerais críticos entre Brasil e Estados Unidos. A proposta americana chegou ao governo brasileiro em fevereiro e envolve financiamento para refinarias e processamento mineral no país, transferência de tecnologia, cooperação geológica, proteção de preços mínimos e apoio para acelerar licenças regulatórias.
Apesar da expectativa, interlocutores dos dois governos afirmam que não há previsão concreta de assinatura imediata do acordo.
O encontro acontece um dia após a Câmara dos Deputados aprovar a política nacional de minerais críticos e estratégicos, que cria instrumentos para incentivar o beneficiamento mineral e a industrialização no país, além de estabelecer um conselho nacional para coordenar projetos prioritários. O texto ainda será analisado pelo Senado.
Um dos pontos mais sensíveis da proposta americana é a cláusula que prevê que os países "esperam ter a primeira oportunidade de investir" em ativos minerais prioritários. Parte do governo brasileiro interpreta isso como uma preferência aos americanos. Representantes dos EUA negam qualquer exclusividade.
A principal resistência interna no governo brasileiro envolve a China. A estratégia americana mira justamente a redução da dependência global chinesa no setor, que domina etapas cruciais como refino e processamento. Integrantes do governo avaliam que um acordo com viés "anti-China" pode gerar impactos diplomáticos e comerciais com o principal parceiro econômico do Brasil.
A proposta enviada ao Brasil é semelhante ao acordo firmado com a Austrália, mas com diferenças importantes. No caso australiano, os americanos garantiram pelo menos US$ 1 bilhão em financiamento. No documento brasileiro, não há valor mínimo previsto. Também ficou de fora um mecanismo de resposta rápida em crises de abastecimento, que consta no acordo australiano.
O Brasil possui reservas importantes de lítio, níquel, cobre, grafite e terras raras, minerais essenciais para baterias de carros elétricos, inteligência artificial, equipamentos militares e geração de energia limpa, o que o coloca como alvo estratégico dos americanos na disputa global com a China por essas cadeias de suprimento.