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Denúncia

Fraude em clínicas credenciadas expõe falhas na rede da Unimed Maceió e afeta crianças com TEA e Síndrome de Down

Redação

Ação do Ministério Público aponta esquema de superfaturamento, documentos falsificados e atendimentos irregulares em unidades que prestam serviços aos beneficiários do plano de saúde

A rede credenciada da Unimed Maceió voltou ao centro de uma investigação após o Ministério Público de Alagoas ajuizar uma Ação Civil Pública contra duas clínicas particulares suspeitas de integrar um esquema de fraudes envolvendo o atendimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Síndrome de Down. A Justiça determinou a suspensão imediata de novos repasses financeiros às unidades investigadas.

Segundo os promotores de Justiça Max Martins e Dênis Guimarães, as investigações revelam indícios de falsificação de documentos, superfaturamento de atendimentos, intimidação de familiares e cobrança por terapias que sequer teriam sido realizadas. As irregularidades teriam ocorrido justamente em clínicas responsáveis pelo atendimento de usuários da Unimed Maceió.

Relatos de pais apontam que as crianças recebiam, em média, 22 horas semanais de terapias, enquanto as clínicas registravam até 40 horas de atendimento para elevar os valores cobrados aos planos de saúde. Para o Ministério Público, a prática indica um possível esquema de faturamento fraudulento que compromete recursos destinados à assistência dos pacientes.

A investigação também identificou graves problemas estruturais. Em uma das unidades, a capacidade física seria incompatível com o volume de atendimentos registrados. Outro endereço informado como clínica estava completamente abandonado, levantando suspeitas sobre a existência de uma clínica fantasma utilizada para movimentações financeiras. Também são questionados certificados de capacitação emitidos pela própria instituição, sem reconhecimento oficial.

Embora a ação seja direcionada às clínicas, o caso lança novos questionamentos sobre os mecanismos de fiscalização da rede credenciada da Unimed Maceió, responsável por autorizar e remunerar os atendimentos prestados aos seus beneficiários. O episódio também reacende o debate sobre a segurança e a qualidade da assistência oferecida a crianças que dependem de terapias contínuas e especializadas.

A decisão judicial determina que, em até dez dias, as clínicas apresentem prontuários, registros de frequência, controle da carga horária e demais documentos dos pacientes. O descumprimento poderá resultar em multa diária de R$ 500, limitada a R$ 20 mil.

Além disso, o Ministério Público afirma ter encontrado indícios de produção de laudos e encaminhamentos médicos padronizados para diferentes pacientes, prática que pode comprometer tanto a qualidade do tratamento quanto a correta aplicação dos recursos destinados à assistência em saúde.

A assessoria de comunicação da Unimed Maceió não foi encontrada. O espaço está aberto para atualização.