Maceió abandonada pelo Hapvida": usuários relatam descaso com pacientes em hospital da capital alagoana
Redação
Duas reclamações publicadas na plataforma Reclame Aqui, ambas sem qualquer resposta da rede Hapvida, revelam um cenário de insatisfação recorrente entre usuários do plano de saúde em Maceió. Separados por quase dois anos, os relatos apresentam críticas semelhantes e reforçam a percepção de que os problemas estruturais e assistenciais apontados pelos pacientes permanecem sem solução.

A manifestação mais recente, registrada em 18 de junho de 2026, resume a situação em uma frase: "Maceió continua abandonada pelo Hapvida". O usuário afirma que a capital alagoana conta com apenas duas unidades clínicas da operadora, ambas constantemente lotadas, barulhentas e desorganizadas, além de apenas um hospital para atender toda a demanda dos beneficiários.
"Maceió precisa urgentemente de ampliação de toda rede (mais clínicas e mais médicos ESPECIALISTAS)", diz o usuário.
Segundo o relato, a emergência do Hospital Hapvida em Maceió é composta, em grande parte, por médicos recém-formados, enquanto há escassez de especialistas considerados experientes e de confiança. O consumidor também critica a disparidade entre os investimentos anunciados pela empresa em outras regiões do país e a realidade encontrada pelos usuários em Alagoas.
"Vejo publicações de inaugurações de hospitais e clínicas maravilhosos em São Paulo e no Rio de Janeiro enquanto Maceió está abandonada", escreveu.
O autor ainda afirma que participa das pesquisas de satisfação enviadas pela operadora, mas não percebe qualquer retorno prático das avaliações realizadas, cobrando ampliação da rede de atendimento e contratação de mais médicos especialistas.
Caso recente ampliou debate sobre atendimento
As reclamações ganham ainda mais repercussão após um caso ocorrido na última semana em Maceió. No último sábado (4), morreu o idoso Osman Tenório de Holanda, de 89 anos, que aguardava autorização da Hapvida para a realização de um procedimento vascular de urgência. O caso chegou a ser judicializado pela família, e a Justiça determinou que a operadora autorizasse a realização da angioplastia e da trombectomia bilateral em até duas horas após a intimação.
Inicialmente, familiares informaram que o procedimento não havia sido realizado, enquanto a Hapvida afirmou, em nota divulgada após o falecimento, que a intervenção foi efetuada e que o paciente permaneceu internado em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), vindo a óbito em decorrência do avanço da doença arterial e de múltiplas comorbidades. O episódio reacendeu discussões sobre a estrutura assistencial e o atendimento prestado pela operadora em Maceió.
Em nota enviada à imprensa, o Hapvida lamentou a morte do paciente e afirmou que o procedimento vascular foi realizado após a determinação judicial. A operadora informou que o idoso permaneceu internado na UTI antes e depois da intervenção, em razão de doença arterial avançada e múltiplas comorbidades, recebendo assistência da equipe multiprofissional.
Problemas antigos permanecem
As críticas já haviam sido registradas anteriormente. Em setembro de 2024, outro beneficiário publicou uma reclamação detalhando uma série de problemas semelhantes, também sem resposta da empresa.
Na ocasião, o usuário relatou que o Hospital Hapvida de Maceió possuía poucos leitos, emergência reduzida, estrutura considerada insuficiente para o volume de pacientes, cadeiras de plástico para acompanhantes, poucos banheiros e dificuldades relacionadas à limpeza em razão da alta circulação de pessoas.
O relato também questionava a presença predominante de médicos recém-formados na emergência e defendia a necessidade de profissionais mais experientes para reduzir riscos de diagnósticos equivocados ou atrasos no tratamento.
Outro ponto criticado foi a cobrança de estacionamento para pacientes que buscavam atendimento de urgência e emergência, além da inexistência de uma segunda unidade hospitalar da operadora na capital.
Nas clínicas próprias, o consumidor descreveu longas filas, dificuldades de acesso, ausência de estacionamento, excesso de pacientes aguardando atendimento e demora para realização de exames simples. Em um dos casos narrados, uma criança teria aguardado cerca de uma hora e meia para realizar um exame de sangue e deixou a unidade sem ser atendida.
O beneficiário também afirmou enfrentar dificuldades para conseguir consultas presenciais com determinadas especialidades médicas e relatou problemas na rede odontológica credenciada, onde, segundo ele, profissionais recusariam atendimentos pelo plano ou direcionariam pacientes para procedimentos particulares.
