“Nunca vi uma coisa como essa”: comunicadores reagem à censura do MDB dos Calheiros de nove rádios em Alagoas
Programação normal das emissoras foi interrompida por decisão liminar do TRE-AL até o encerramento da votação de 4 de outubro; decisão é inédita na história
Francês News
“Eu trabalho na Rádio Quilombo há 34 anos. Nunca vi uma coisa como essa.” O relato de um comunicador da emissora resume a reação de profissionais atingidos pela decisão da Justiça Eleitoral que suspendeu a programação normal de nove rádios de Alagoas na reta final da campanha.
Outra frase expressa a perda sentida por quem trabalha diante dos microfones: “A Rádio Quilombo, a voz do povo, se calou.” Nos depoimentos recebidos pelo Francês News, comunicadores lamentam a interrupção de programas que fazem parte da rotina dos ouvintes e classificam a ordem como censura. “Não à censura” foi uma das mensagens repetidas pelos profissionais.
A pedido da coligação “Pra Alagoas Fazer História de Novo”, formada pelo partido de Renan Filho e Renan Calheiros, o MDB, junto com Podemos, Agir, PSB, PSD, Avante e federações partidárias, conseguiu que o Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) determinasse a suspensão da programação normal de nove emissoras de rádio e de dez perfis em redes sociais até o encerramento da votação do primeiro turno, em 4 de outubro.
O que acontece com as emissoras
A ordem atinge Francês FM 106,1; Farol FM 104,3; Nova Brasil FM 106,5; Francês FM 99,1; Quilombo FM 106,7; Nova Farol FM 106,3; Farol FM 90,1; Farol FM 105,7; e Adore FM 89,3. Entre os perfis incluídos estão @francesnewsbr e @redefrancesfm, ligados ao Francês News, além de contas de outros veículos alagoanos.
Desde o domingo (27), as rádios interromperam a programação regular, mesmo com o prazo também nunca visto antes de apenas 6 horas dado pela decisão judicial. A decisão mantém apenas a propaganda eleitoral gratuita e as transmissões obrigatórias por lei e determina a veiculação de uma mensagem de orientação ao eleitor a cada 15 minutos.
Para os comunicadores, o efeito já é concreto: programas de informação, prestação de serviço e contato diário com os ouvintes deixam a grade justamente na semana que antecede a votação. É a primeira vez na história que acontece uma decisão dessas no período pós-ditadura militar.
Entre indignação e emoção, uma mensagem se repetiu nas diferentes vozes dos comunicadores: “Abaixo a Ditadura.”