Repressão no Irã pode ter causado até 5 mil mortes, segundo fonte; Khamenei atribui crise a Trump
19/01/2026 01:29:28
Por Redação com agências
A repressão aos protestos que se espalham pelo Irã há mais de 20 dias pode ter deixado cerca de 5 mil mortos, segundo informações atribuídas a uma fonte do próprio governo iraniano e divulgadas neste domingo (18) pela agência Reuters. O número, no entanto, não foi reconhecido oficialmente pelas autoridades do país.
As manifestações tiveram início a partir da insatisfação com a crise econômica e o aumento do custo de vida, mas rapidamente passaram a incorporar críticas diretas ao regime político. Com o avanço dos protestos, surgiram pedidos explícitos pelo fim do sistema liderado por aiatolás, no poder há mais de quatro décadas, marcado por rígidos mecanismos de controle social e político.
A reação das forças de segurança intensificou a pressão internacional sobre Teerã. Há relatos de uso de munição real contra manifestantes, o que levou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a endurecer o discurso e mencionar a possibilidade de ações militares, reacendendo a tensão entre os dois países.
O governo iraniano rejeita as acusações e sustenta que as mortes ocorreram em confrontos provocados pelos próprios manifestantes. Segundo a versão oficial, parte significativa das vítimas seria composta por integrantes das forças de segurança. A fonte ouvida pela Reuters afirmou que aproximadamente 500 policiais e militares estariam entre os mortos.
Levantamentos independentes apresentam estimativas distintas. A organização norte-americana HRANA informou no sábado (17) ter confirmado 3.308 mortes, além de mais de 4.300 casos em verificação, e calcula que cerca de 24 mil pessoas tenham sido presas desde o início dos atos. Já a ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, contabiliza ao menos 3.428 manifestantes mortos, ressaltando que o número real pode ser maior.
Outros grupos de oposição no exterior divulgam balanços ainda mais elevados. O canal Iran International chegou a mencionar até 12 mil mortes, citando fontes ligadas ao governo e às forças de segurança, dados que também não foram confirmados oficialmente.
Neste sábado (17), o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, voltou a se pronunciar sobre a crise. Em discurso, responsabilizou diretamente os Estados Unidos e Israel pela escalada da violência e afirmou que o governo tem o dever de reagir com firmeza aos protestos. Khamenei também atribuiu a Donald Trump parte da responsabilidade pelas mortes registradas durante a repressão.
“Não buscamos uma guerra, mas não haverá perdão para criminosos internos ou externos”, afirmou o aiatolá, que governa o país desde 1989. Segundo ele, o objetivo de Washington seria enfraquecer o Irã nos campos militar, político e econômico.
As autoridades iranianas classificam os protestos como atos terroristas. O procurador de Teerã, Ali Salehi, declarou à televisão estatal que a resposta do Estado foi “rápida e dissuasiva” diante do que chamou de ameaça à ordem pública.
A verificação independente das informações segue limitada pelas restrições impostas à comunicação. Desde 8 de janeiro, o acesso à internet foi severamente reduzido em diversas regiões do país. A ONG Netblocks informou que houve uma retomada parcial da conectividade após mais de 200 horas de bloqueio, mas destacou que o nível atual representa apenas uma fração do funcionamento normal.
Com as comunicações comprometidas, iranianos que vivem fora do país relatam dificuldade para obter notícias de parentes. Quando o contato ocorre, ele costuma ser breve, diante do receio de monitoramento e de possíveis represálias por parte das autoridades.
Publicidade

Mais notícias

Homem é morto a tiros após ser perseguido por trio encapuzado em Maceió

Acusado de mandar matar casal em União dos Palmares é preso no Ceará

Homem vai para UTI após beber iogurte com “boa noite Cinderela”

TRE decide que Justiça do Trabalho poderá julgar ações da Braskem

